25 de setembro de 2009
(cochichos inaudíveis).
- Ribeirão? Hummm, pode ser legal, a gente conversa isso ai melhor qualquer dia desses...
Ai chegam as duas.
(cochichos inaudíveis)
Tentam se sentar ao nosso lado: - Não não, tá molhado!
Agora o outro lado.
(cochichos inaudíveis)
Os carinhas sentados.
- Olha aqueles dois ali! Vamo vê se eles querem pagar umas bebidas pra gente?
Tentam sentar ao nosso lado: - Não não, tô molhado!
- Ahh, desculpa, vamo procurar outro cara então.
- Beleza!
3 segundos depois.
- Outro cara? Acho que ela quis dizer outro lugar né não?
- Sei lá cara, mas então...
3 de setembro de 2009
Quando fico de pau duro.
Quando fico de pau duro
Sinto-me Deus
Não Deus como Zeus no Olimpo
Deus como Jesus
Como o homem no garimpo ao achar a maior pepita
Como o médico que o cardíaco ressuscita
Sinto-me Deus
Sinto-me forte
Sinto o poder
Toda a grandeza de ser de um povo
Sinto-me um ovo fecundado
Como um viado ao dar o rabo
Sinto-me alado
Sinto-me sábio
Sinto-me luz cuspida de meus lábios
Sinto a explosão dos teus
Quando me coloco Deus
No meio de tuas pernas
Essa belezinha ai não é minha, infelizmente não.
Se você é um cara, sabe como é (se você for uma mina, imagina o Morrisey falando as besteiras dele lá, então, é isso ai pra gente), enxugue as lagrimas, ele não entrou na sua cabeça e tiro isso do meio daquela bagunça, mas você sabe que poderia ter sido, mudaria o finzinho dependendo da sua religião (Quando me coloco Alá, no meio de tuas pernas) mas no fim daria no mesmo.
Eu ouvi isso aí (isso mesmo, ouvi, era parte de uma coletânea de poetas cariocas, parte de uma Vip ou Trip da vida, e era um CD) quando tinha uns 14 anos, nessa época eu já trabalhava, mas às vezes dava o perdido na mamis e ia para casa de um amigo meu, o Elton e – sabe deus – não sabíamos nem de longe o que era uma mulher de pernas abertas, poesia ou deus, e arrisco dizer que só sabíamos o que era um pau porque andávamos por ai com um pendurado no corpo (não me entenda mau, cada um andava com o seu).
Paus sobem e descem, continuamente se você por um acaso (ai sim, divino) estiver tendo sorte, mas a verdade e que você nem sempre se sente deus. Mas com os amigos você não precisa sempre se sentir deus, pode só ficar numa boa, ouvindo aquele The complete BBC sessions do Joy Division, pensando nos peitões da hoje longínqua Tayna. Na santa ceia nos com certeza não seriamos o cara hippie do meio, mas estaríamos num cantinho, imaginando a Maria Madalena.
* A poesia é do único ex-careca que se têm noticia, Cazé Peccini
Todo fim é heroico.
Todo fim é heróico, não importa o quão irrisório seja. Não importa se é só uma chave que gira ou uma pessoa passando por algum lugar – e não importa se na verdade não é – é, sempre é.
Quantas vezes você teve, na hora, a exata noção de que está fazendo algo pela última vez? Poucas, quase nunca, o fim é sorrateiro, é fração, todo e resultado. Quando se tem consciência dele, poucos são os que avançam, os que deixam as frases a dizer para sempre emudecidas.
Você pensa em tudo que fez, bate o cartão, aquele que você nunca lembrava de bater, se dá conta que esse era o único defeito que reconhecia em si mesmo ali dentro e você o resolveu. Todo fim é heróico.